domingo, 9 de abril de 2017

Quando te vi…

Quando te vi, já era demasiado tarde
Pois que tomaste de assalto o meu coração
Num sobressalto que escapou à razão
E à minha própria vontade.

Fixei a luz dos teus olhos e guardei-a dentro de mim
Deixando-a crescer e inundar todo o meu ser
De uma felicidade sem fim
Como eterno amanhecer
De um amor que desconhecia poder sentir dentro de mim.

Senti o calor dos teus beijos
As tuas mãos nos meus lábios
Esqueci o mundo, mergulhei nos teus desejos
Na doce canção da tua voz, da minha felicidade
Por estarmos sós com um amor sem idade.

Mas deixo-te voar em liberdade, em direção ao que não desejas,
Àquilo que pensas ser uma felicidade com rosto
Visível nas cidades, aldeias, vilas e igrejas
Que se alimentam do amor já morto.

Não vás! Sussurra a minha alma envelhecida
Desgastada pela grande ilusão do mundo
Mas a luz dos teus olhos, curiosa e decidida
Demove-me de te prender ao meu estranho amor profundo.

Estarei sempre aqui, à espera de te abraçar
Nos momentos em que te desiludires com a vida
Podes chorar no meu peito quando te achares perdida,
Podes sempre aos meus beijos retornar
Pois que jamais deixarei de te amar. 

Pobre saudade

Tal como os sonhos não deixam
Marca na inconsciência pura
Assim os pesadelos não deixam
Marca na consciência futura.

Homem e coerência encontram-se,
Que palavras ficam por dizer?
Os opostos esses, desencontram-se
O resto é para esquecer.

Pobres, os poetas resistem
Sem ideais, sem liberdade
Secretamente eles persistem
Pobres, na eterna saudade.