quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A procissão do negro coração…

Ainda agora vai no adro,
 A procissão do negro coração,
Que na escuridão encalhado
Morreu na solidão,
Triste, só e esquecido
Por uma monoteísta religião.

Treme o largo da igreja
Com a negra peregrinação
Não há santo que se veja
Na reza ou na oração.

Da oração não guardo
Demónio ou anjo que se veja
E no entanto me resguardo
De qualquer lei que me proteja

Do celestial amo que sirvo,
Tão imerso na sua sabedoria
Que esquece a lei do seu livro
E castiga com sinistra alegria.

Sem comentários:

Enviar um comentário