domingo, 27 de agosto de 2017

Desisto

Desisto,
Chorei e gritei em nome do amor ao longo da minha vida e agora,
Desisto.
Desisto de te procurar meu amor
Desisto de tentar encontrar
Tua face nesta incógnita multidão que me rodeia,
Neste sonho louco que busco nas fronteiras do meu coração.
As lágrimas que derramei Deus meu!
As lágrimas que escorreram por meus olhos abaixo
De nada me valeram
Pois que a paixão, de mim se esconde na mais enigmática das formas,
Na mais louca das maneiras.
Que estranha solidão que a mim me foi imposta pela existência.
Que dor de tanto amar, sonhar, chorar, esquecer…
Porquê?
Porquê toda esta vida mais insignificante que a própria insignificância?
Porquê esta vontade de procurar algo que não se encontra?
Desisto.
Desisto de viver.
E no entanto continuo a respirar, a andar, a comer e a pensar.
Os violinos do meu coração perseguem-me com o seu melancólico divagar,
Com o seu sofrimento calado, com o seu enigmático tom.
Toda a minha vida te busquei
Amor dos meus sonhos
E apenas nos meus pesadelos te encontrei
Sob forma de algo impossível de alcançar…
Ou de sonhar.
E o desespero se torna mestre de todo o meu ser.
A loucura sobrevivente de meu coração intimida-me a procurar refúgio do mundo,
Do ser,
Do cão que me morde e me molesta com as suas verdades.
Não sou ninguém e ninguém me disse nada,
Ninguém me disse nada.
Apenas a vontade comandava o meu coração
E agora também ela desapareceu na noite do mundo.
E eu, só me abandono nesta valeta iluminada pela lua e pelos demónios
Que meu coração vomitou.
Desejo,
Palavra vã que me percorre a mente.
Loucura, realidade presente em minha mente.
E eu desisto,
Desisto como qualquer frustrado que desiste,
E sonha que ainda não desistiu do seu tresloucado sonho.
Amar.
Amar?
Ah ah ah ah!
Como se fosse isso possível para um ser que não é ninguém.
Um ser que até a insignificância repudia e escarra no solo como catarro impossível de engolir.
Um ser esquecido nalgum obscuro e recôndito canto da mente de Deus.
E as flores em meus cabelos há já muito que murcharam,
Tal como meu coração há já muito que morreu para o amor.
Deus meu, que Dor.
Porque não me ouves?
Porque não me dás algo porque viver?
(Porque não mereces!)
Porque não me dás algo para criar?
(Porque não mereces!)
Porque não me revelas o amor?
(Porque já o possuis!)
Desisto.

Loucura?

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