quarta-feira, 19 de julho de 2017

Triste Passividade

Transcrevi para o papel todos os dolorosos parágrafos do livro da minha mente.
Nunca completei um capítulo.
Perco-me na audácia de querer ser maior
Para esconder de mim próprio a minha própria mediocridade.

A brisa leve e fresca que cavalga pelo ar deste entardecer de Abril
Enregela a magra pele dos meus braços,
Sulcados por veias marcadas pela Dor do Ser
E lança-me na melancólica Solidão de um sonhador sem pensamentos.

Quem disse que o sonho comanda a vida tinha a sua certa razão!
Mas eu já estou farto de sonhar.
De sonhar e de lutar contra a realidade dos meus sonhos.
(Nada mais possuo para além dos meus sonhos.)
Como hei-de eu não ser triste?
Um triste vigilante da Solidão?

Choro as lágrimas que Deus me deu para chorar.
Peco apenas por respirar.
E perco-me no sonho de amar a quem não sei amar.

Porque é que o Amor apenas é maior nos meus sonhos?
Porque é que a Paixão apenas se eleva em mim aos píncaros da incredulidade
Quando estou embriagantemente adormecido nos negros lençóis da dor,
Afundado pesadamente no frio leito com sabor a Morte no qual durmo, sonho e sofro
Todas as escuras e eternas noites da minha passiva tristeza?

Porque é que não me sinto capaz de alcançar a objetividade
 De todos os outros que me rodeiam e cercam
Com os seus fugazes questionamentos? 

Porque é que não me sinto capaz de existir?
Porquê, Porquê, Porquê…
Sempre a mesma opressiva pergunta.

Sempre o mesmo opressivo desconhecimento da Existência.

Sempre a mesma puta de dor de existir.

Não mais sei quem sou.
Não sei mais o que sou.
Perco-me no Infinito.


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