terça-feira, 18 de julho de 2017

Desabafo

Cansado, tão cansado que estou,
De chegar a casa e enfrentar a minha eterna companhia de todos os dias que passam
Sem deixar memória
E de todas as noites que passam e que nada mais deixam para além
Das lágrimas.
A solidão.

Escrevo intermináveis desabafos no livro da minha alma
Que vão-se perdendo na fraca memória dos meus dias
E na loucura da triste solidão que impôs-se em mim desde o dia em que nasci.

Possuísse eu uma paixão, única e concreta em meu coração
E talvez fosse capaz de existir em sintonia com os seres
Mas paixão é algo que não existe em meu coração
E sintonia é palavra estranha
Da qual desconheço significado.

Todas as noites quando saio do trabalho
Impõe-se sobre mim o abandono
E a tristeza de saber que não há ninguém que esteja à minha espera
Para me abraçar…
 Para me dar um beijo de boa noite.

Tento retardar o máximo que posso
O momento em que me encolho na cama
Para apenas adormecer entre projetos de sonhos
 E lágrimas, que me revoltam chorar.

Por vezes embriago-me apenas para conseguir dormir,
Para que não deixe cair sobre mim
A terrível maldição de ser um insone com ideias de grandiosidade
Ou para manter a ilusão de que jamais o serei
Ou até de que nunca o cheguei a ser.

E é assim,
Cansado e triste que tento fazer uma única coisa,

Viver.

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