sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Tristeza

Sou feito de tristeza...
Tristes são os meus dias, tristes são as minha noites.
As alegrias, perdi-as algures na infância,
Nessa infância já tão distante e tão difusa na minha memória.

Sento-me à mesa
deste café de ignorantes da minha tristeza cheio
e vazio de alegria pura.
Alegria por simplesmente existir e nada mais.

Perco-me na tristeza da noite.

Perdi...

Perdi a minha poesia
Perdi a minha alma
Perdi o meu dia
Por não ter calma.

Perdi o teu amor
Perdi a minha paixão
Encontrámos a dor
Da solene separação.

Perdi a realidade
Dos meus sonhos
Perdi-me na cidade
De todos os loucos.

Mais uma noite...

Mais uma noite que passo aqui abandonado
No meio do caos, da confusão
Pobre ser tão mal amado
Pobre e triste coração.

Mais uma noite que passo na Solidão
De um amor mal-fadado
Ciente do triste fado
Que é viver sem paixão.

Deleito-me a imaginar o amor
Sentido por qualquer alma
Que se ponha ao dispor

De amar uma alma louca
Que não conhece a calma
De amar coisa pouca.

domingo, 27 de agosto de 2017

Meu eterno amor

Amor que cresce dentro de mim
Paixão que brota do meu ser
Beijar-te docemente em minutos sem fim
À luz de uma madrugada a nascer.

À beira-mar fui caminhar
De mãos dadas contigo minha amada
Resplandecente por te amar
Mais do que a tudo, ou a nada.

E todas as noites em que nos deitamos
Neste doce leito branco de cor
E tocados pelos olhos nos fitamos
Exclamamos: Meu eterno amor.

Noite Eterna

Divago na tentação da noite eterna
Que se estende à minha frente
Ouço as palavras ditas e cantadas
Desnivelarem-se dos carris do destino
E perco-me na horizontalidade do amor que sinto por ti.
Serpenteio meus braços com as tarântulas das minhas sensações
E desencaminho-me na frieza de uma vontade.
As águas passeiam calmas a meu lado
Fazendo-me sentir parte do infinito do qual faço parte
E despindo-me de preconceitos do mundo,
Lanço-me nu e destemido
Nos lagos de vontades de uma força maior do que a minha.
A sobrevivência torna-se perpétua para aqueles que sabem que nada mais
Daquilo que somos é definitivamente perpétuo.

Alcanço-me na tristeza de um olhar.

Desisto

Desisto,
Chorei e gritei em nome do amor ao longo da minha vida e agora,
Desisto.
Desisto de te procurar meu amor
Desisto de tentar encontrar
Tua face nesta incógnita multidão que me rodeia,
Neste sonho louco que busco nas fronteiras do meu coração.
As lágrimas que derramei Deus meu!
As lágrimas que escorreram por meus olhos abaixo
De nada me valeram
Pois que a paixão, de mim se esconde na mais enigmática das formas,
Na mais louca das maneiras.
Que estranha solidão que a mim me foi imposta pela existência.
Que dor de tanto amar, sonhar, chorar, esquecer…
Porquê?
Porquê toda esta vida mais insignificante que a própria insignificância?
Porquê esta vontade de procurar algo que não se encontra?
Desisto.
Desisto de viver.
E no entanto continuo a respirar, a andar, a comer e a pensar.
Os violinos do meu coração perseguem-me com o seu melancólico divagar,
Com o seu sofrimento calado, com o seu enigmático tom.
Toda a minha vida te busquei
Amor dos meus sonhos
E apenas nos meus pesadelos te encontrei
Sob forma de algo impossível de alcançar…
Ou de sonhar.
E o desespero se torna mestre de todo o meu ser.
A loucura sobrevivente de meu coração intimida-me a procurar refúgio do mundo,
Do ser,
Do cão que me morde e me molesta com as suas verdades.
Não sou ninguém e ninguém me disse nada,
Ninguém me disse nada.
Apenas a vontade comandava o meu coração
E agora também ela desapareceu na noite do mundo.
E eu, só me abandono nesta valeta iluminada pela lua e pelos demónios
Que meu coração vomitou.
Desejo,
Palavra vã que me percorre a mente.
Loucura, realidade presente em minha mente.
E eu desisto,
Desisto como qualquer frustrado que desiste,
E sonha que ainda não desistiu do seu tresloucado sonho.
Amar.
Amar?
Ah ah ah ah!
Como se fosse isso possível para um ser que não é ninguém.
Um ser que até a insignificância repudia e escarra no solo como catarro impossível de engolir.
Um ser esquecido nalgum obscuro e recôndito canto da mente de Deus.
E as flores em meus cabelos há já muito que murcharam,
Tal como meu coração há já muito que morreu para o amor.
Deus meu, que Dor.
Porque não me ouves?
Porque não me dás algo porque viver?
(Porque não mereces!)
Porque não me dás algo para criar?
(Porque não mereces!)
Porque não me revelas o amor?
(Porque já o possuis!)
Desisto.

Loucura?

Inútil

Sonho assombroso que invade a minha mente.
Cavalgar os ventos da minha própria paixão
E navegar no doce e balançante odor do teu corpo.
Nos teus olhos mergulhar em oceanos de mil cores
E viver nesse lancinante amor de quimeras sonhadas
E repetidas em cada estrela do céu noturno.
Ultrapassar os limiares do infinito                          
Beijar a tua alma
E cair de joelhos na maldita rotina quotidiana da existência.
Que saudades de te abraçar,
Que saudades de te beijar.

Que vida miserável!

Não queiram…

Não me queiram levar por este caminho
Que não mais desejo caminhar,
Apenas sentar-me e amar a vida
Como sinónimo de beleza que reside dentro de mim.
Respiro por tanto amor
E adormeço ao som de violinos apaixonados
Que me lançam ao nome do meu amor.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Palavras

Palavras, são apenas doces palavras
Aquelas que eu gostaria de sussurrar ao teu ouvido,
Doces como o mel que escorre da garganta da minha alma,
Quentes como o abraço de abandono que te ofereço,
Tristes como só as palavras de amor podem parecer
Serem tristes na solidão do nosso amor.

Minha vida…

Minha vida…
Que acabou aqui, neste lugar do desconhecido
Do irreal
Já nada significa para mim.
Fui abandonado pelo meu amor…

Do meu coração escorrem lágrimas de sangue
Que já em nada alimentam o meu corpo de vida,
Que já de nada alimentam a minha alma
A não ser, talvez, de dor.

A tristeza chega, compulsiva e lenta,
Ao âmago do meu ser
E eu, já nada sei.
Já nada sei.
Já nada sei.
Já nada sei.

Já nada sei.

Percorri a estrada…

Percorri a estrada da minha vida,
Com efémeros sonhos de grandeza
Presos ao meu peito de alma sofrida
Emergidos do poço da minha tristeza.

Deixei-me cair na ilusão de ser maior
Em sentimentos e em expressão,
E esqueci-me de compreender a dor
De um outro coração.

Agora caio na embriaguez dos dias
Que passam sem deixar lembrança
E na dor que passo durante as noites frias
Em que sonho com um pouco de esperança.

Chora baixinho

Chora baixinho
Para que o vento não te ouça,
Não vá ele espalhar os teus lamentos aos quatro cantos do mundo.
Chora no meu ombro,
Para que eu te possa beijar,
A ti
E a esse sal das tuas lágrimas
Que me entristecem.

O sabor do amor que por ti sinto e que escondo
Mergulha na dor de tanto te amar,
Excluindo a saudade desses uivos do vento que contorna os quatro cantos do mundo.

Encosta o teu coração ao meu,
Ensina-me o ritmo do teu amor,
O ritmo da tua paixão.
Nega-me o prazer,
Nega-me a fútil e fácil aproximação dos corpos,
Para que em silêncio possa admirar a tua alma,
Sem desejo
Sem temor…
… Apenas à espera de mergulhar no teu coração,
Pleno de amor,
E que ainda foge de mim para voltar para a triste
(e por ti amada)
Solidão,
E para o triste prazer da dor.

Deita-te neste meu leito de pesadelos
E abraça-me até a dor não poder ser mais por ti resgatada
E, sem mais demoras, poderes enfim entregar-te ao meu coração
E à minha alma, apenas para ti de tudo despida.

Deixa-me entrar pelo portal dos teus sonhos,
Pelo portal do teu amor
E adormecer em tremores de desespero,
Nesse inexistente e falso conforto que possuis em teu coração.

Confia em mim.
Amo-te.













domingo, 6 de agosto de 2017

Terna é a noite

Terna é a noite escura
Que abraça o meu coração
Conforta minha alma obscura
Tão carente de paixão.

Piso o negro chão
Na minha viagem impura
Que me leva à razão pura
Pela qual amo a solidão.

Nenhum ser poderá me amar
Enquanto nos meus olhos fixar
Uma certa imagem de loucura

Que se reflecte em todos os dias
Em que passo à procura
Dos teus beijos d’águas frias.

sábado, 5 de agosto de 2017

Pensamentos conclusivos

Solidificação da alma perdida no Infinito.
Acordei para a noite
E perdi-me do mundo.

Eis aqui a loucura de viver
Prisioneiro de um ser corpóreo
E de uma realidade falsificada por um deus desconhecido.

A minha observação na noite
Leva-me à conclusão de que a mera perdição pelo materialismo
Inerente a este mundo
Parte dos seres que não possuem a consciência do Infinito
Levando-me à condição de ser um estranho entre os estranhos

E perco-me na loucura do Ser.

Mato a minha sede

Sinto a solidão em teu triste olhar
Criança imberbe da imaginação
Com cabelos empoeirados por caminhar
As empoeiradas estradas da ingratidão
Sou este vento que assobia
Que revolve os cabelos das gentes
(Vendo aquilo que não queria
Soltando uivos de dor), descontentes
Aqueles que anseiam por uma vida
Superior ao vazio da existência
Abraçando cada criatura perdida
Nas amarguras da sua essência
Procuro o regresso a meu reino de vendavais
Por vultos de nuvens incendiadas
E por geadas sombrias e frias
Que me lembram as minhas amadas
Perco-me neste belo horizonte
Maior do que o mar
Alimentando esta minha fonte
Dum amor que nunca irá acabar.


Mato a minha sede!

Na cidade

Na cidade onde se canta o fado não há sombras nem pinheiros
Apenas hipócritas que se apresentam como verdadeiros.

As pedras da portuguesa calçada estremecem ao som da multidão
Que caminha por vezes insensível ao seu próprio coração.

As esplanadas dos cafés alagam-se de mísera gente
Que se abre aos seus semelhantes num sorriso falso e incoerente.

Cada pessoa nesta cidade é um ilustre desconhecido
Como tal poucos são aqueles a quem posso realmente chamar de amigo.

Feiticeira

Cruzei-me numa noite de estrelas ocultas
Com uma feiticeira que me agarrou pela mão
Desviando-me dos sonhos inúteis
Que se aprofundaram no meu coração.

Libertando-me de pensamentos fúteis
A feiticeira aniquilou a minha Solidão
Enaltecendo o meu amor e a minha paixão
Por todas as criaturas felizes e incultas.

Feiticeira de uma verdade estranhamente real
Que me beija docemente na dolorida boca
Com uma verdade tão verdadeira como louca

Afastando-me da ilusão de que existe um mal
Na vontade de alguém querer simplesmente amar
Num mundo no qual ninguém sabe perdoar.


Doce

Doce como a candura dos teus lábios
Afago a ternura do meu próprio amor.
Penetro lentamente nesses obscuros recantos
Da minha solene vontade
E deito-me ao som de um dia a nascer.

O grito da gaivota

Recorto deste azul solar
Uma paixão que me fascina
Sentindo num estranho divagar
Esse amor que se aproxima

Ouço neste grito de gaivota
Toda uma marítima tempestade
Caindo a esta hora morta
Numa sensação de infelicidade

De mãos dadas com o amor
Caminha este sofrimento de viver
Misturando-se com a profunda dor
De existir, e para sempre sofrer

Procuro esse estranho mar do longínquo                           
Onde nada será jamais impossível
Mas perco-me na dor de faminto
Querer devorar um amor inconcebível

Refugio-me na loucura do mundo
Sem mais dar asas à imaginação
Ficando então de dor, mudo
À procura do meu coração.

Sinais

Dançam demónios em minha mente
Fogem querubins do meu coração
Vivo cada vez mais descontente
Entregue às trevas da Solidão

Minhas calejadas mãos recusam-se a escrever
A minha alma existe envolta na Penumbra
Triste de uma vida triste que tento viver
Na qual a minha paixão se encontra moribunda.

Com nenhum ser consigo dialogar
Perco-me num monólogo constante
De quem nunca soube realmente amar
Ou ser um verdadeiro amante.

Pressinto

Nascida da omnipotente palma da mão de algum louco deus
Ao qual não pertenço
A rosa do amor plantou uma das suas pétalas na minha alma
Mergulhando-a no abismo das mundanas paixões.

Enterrado no lodo das enamoradas sensações
Grito desesperado pelo princípio do fim do meu ser
Esperando impacientemente pela extinção do amor e da paixão
Que afundam-me no mais louco desespero dos loucos.

Louco sou eu porque acredito ainda no amor,
E sofro doloridamente por ser ainda um crente do amor.

Terei que partir para as trevas
E não mais voltar a este mundo,
Fim tão desejado
E nunca alcançado.


Adeus.

Fechei os portais

Fechei os portais da minha mente
E lancei a chave no Infinito.

Descrente me tornei, em relação aos seres que me rodeiam.
Perdi as quimeras da vida e os sonhos da terna infância que nunca possuí.

Perdição absoluta e única do ser.

Adeus,

Partirei com o vento.

Salto

Salto sem rede no infinito
Voo pelo eterno como águia dourada
No silêncio absoluto ninguém ouve meu grito
Dolorido provocado por tal jornada.

Abençoo a morte com minha vida
E mergulho na minha solidão
Vaga alma tão perdida
Pelo amor que sinto em meu coração.

Escapei para as ameias do castelo do amor
E perdi-me com a noite escura
Sofro agora de uma estranha dor
Tortura de alma impura.


Abandono final

Abandono lentamente a claridade dos dias
Para mergulhar na solitária escuridão da dor.

Todo o meu amor foi escrito em vão
No coração dos seres,
E o abandono agora é completo.

Reescrevo novamente o meu testamento
E o sofrimento é legado aos meus herdeiros
Como única herança possível
Para as suas vidas.

Efémero é meu coração
E o meu ser perde-se na noite.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Leões

Persigo os leões da minha juventude
Que tanto me alimentaram de amor
Nessa idade que passou sem uma atitude
Que tivesse algum tipo de valor.

Sinto agora apenas o perfume
De uma certa paixão sem dor
Que meu coração calou no temor
De provocar um eterno ciúme

Àquelas criaturas que me perseguiam
Com o ardor espelhado no olhar
Do fogo que no coração sentiam

Fazendo-as crer que me poderiam amar
Por eternas noites e longos dias
Por sois de Verão e Invernos d’águas frias.


domingo, 23 de julho de 2017

Desejo de conhecer o Mundo

Toda a loucura e sentimento
Desejo de conhecer o mundo

Escorrem agora como chuva de pedras
Que caem por minha alma abaixo.

Todos os encontros obrigatórios que se realizam na alvorada
De algum embriagante ser.

E eu sinto a paixão e a dor do vagabundo.

Desejo de conhecer mundo.

Amo-te

Amo-te,
Amo-te como o sol ama a lua e a beija durante a alvorada,
E sei que jamais poderei sequer abraçar-te.
A tua beleza não existe no meu mundo,
E inconcebível se torna nos meus sonhos de amor.
E fere-me a tua insegurança
Quando te encontras longe de mim.
Choro, choro porque jamais te poderei dizer o quanto te admiro
E respeito,
Apesar de todas as nossas diferenças
E das nossas formas de amar.
Perco-te na noite.
Vejo a tua alma no dia.

Amo-te. 

Sonho…

Sonho com um beijo na tua face adormecida,
Nos teus lábios doces e leves como a chuva de lágrimas que cai agora dos meus olhos.
Com o calor perdido do teu corpo enroscado no meu
E que me afunda agora no infernal gelo da solidão.
Sonho com os teus olhos de amêndoa que sorriam para mim
E que me deixam agora tristemente abandonado na escuridão.
Sonho com o teu doce carinho que agora me abandonou.
Sinto falta dos teus abraços e da tua alma.
Ainda te amo.
Dói tanto.

Adeus meu querido. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Vontade

Percorro as ruas sem sentido
Pisando o lixo da humanidade
Encontro-me aqui perdido
Nesta estranha e tenebrosa cidade

Daqui, parte meu ser sofrido
Para o âmago da insanidade
Daqui, parto para a mediocridade
Do mundo por mim esquecido

A lua cheia ilumina o meu sofrer
De viver nesta negra e escura ilusão
Sem ter a mínima vontade de viver

Tenho apenas a vontade de alguém amar
Com todo o amor, todo o ardor do meu coração
E finalmente este meu ser conseguir perdoar.

Quero conhecer-te

O que é que escondes
Atrás desses olhos inocentes?
Que segredos esconde essa
Cara branca com um sonho?
Porque é que vives atrás
De ilusórias fachadas?
Porque é que percorres essas
Estranhas estradas?
Porque é que vives na mais horrível solidão?
Consegues ter sempre razão?
Gostava de poder conhecer-te
E não mais esquecer-te.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Triste Passividade

Transcrevi para o papel todos os dolorosos parágrafos do livro da minha mente.
Nunca completei um capítulo.
Perco-me na audácia de querer ser maior
Para esconder de mim próprio a minha própria mediocridade.

A brisa leve e fresca que cavalga pelo ar deste entardecer de Abril
Enregela a magra pele dos meus braços,
Sulcados por veias marcadas pela Dor do Ser
E lança-me na melancólica Solidão de um sonhador sem pensamentos.

Quem disse que o sonho comanda a vida tinha a sua certa razão!
Mas eu já estou farto de sonhar.
De sonhar e de lutar contra a realidade dos meus sonhos.
(Nada mais possuo para além dos meus sonhos.)
Como hei-de eu não ser triste?
Um triste vigilante da Solidão?

Choro as lágrimas que Deus me deu para chorar.
Peco apenas por respirar.
E perco-me no sonho de amar a quem não sei amar.

Porque é que o Amor apenas é maior nos meus sonhos?
Porque é que a Paixão apenas se eleva em mim aos píncaros da incredulidade
Quando estou embriagantemente adormecido nos negros lençóis da dor,
Afundado pesadamente no frio leito com sabor a Morte no qual durmo, sonho e sofro
Todas as escuras e eternas noites da minha passiva tristeza?

Porque é que não me sinto capaz de alcançar a objetividade
 De todos os outros que me rodeiam e cercam
Com os seus fugazes questionamentos? 

Porque é que não me sinto capaz de existir?
Porquê, Porquê, Porquê…
Sempre a mesma opressiva pergunta.

Sempre o mesmo opressivo desconhecimento da Existência.

Sempre a mesma puta de dor de existir.

Não mais sei quem sou.
Não sei mais o que sou.
Perco-me no Infinito.


Mudanças

Foi quando… linda e louca
Mulher que fitaste o meu olhar
Que minha boca surgiu em tua boca
E despertou meu desejo de te amar

Mas toda a minha vontade era pouca
Para apenas a ti querer adorar
Não me cansando eu de caminhar
Como nuvem das trevas solta

Corro agora pelas estreitas pontes que nos unem
Com uma insana esperança em mim,
Redescobrir como certos seres se fundem,

No amor, na amizade e na paixão
Para além da vida e do fim
Livres de medo em seu coração!




Desci

Desci da montanha da sabedoria
Para o vale da loucura,
E encontrei-te na vida
Da minha alma impura.

O amor que eu queria
Surgiu durante a noite escura
Mas perdeu-se na fissura
Existente entre noite e dia.

Esgotei-me minha paixão
Esgotei-me na solidão
Do nosso estranho amor
E agora morro por te amar
Como quem ama o mar
Sentindo apenas dor.


terça-feira, 18 de julho de 2017

A cerveja dá cabo do espírito.

Foda-se.
     Passam os dias e aumenta a minha solidão. Caminho pelas ruas da cidade, assustado, sem saber onde me encontro. Questiono-me a mim mesmo a razão pela qual me encontro aqui na rua, cercado por gente que não me conhece, por gente que eu não conheço, por gente que eu não amo e que tão pouco me ama a mim.
     Os dias tristes e cinzentos que inspiram a minha tristeza e os dias de sol e de luz que inspiram o meu sentido de beleza, passeiam pela minha solidão de mão dada em direção ao sentido de efémero que povoa por completo a minha alma.


Desabafo

Cansado, tão cansado que estou,
De chegar a casa e enfrentar a minha eterna companhia de todos os dias que passam
Sem deixar memória
E de todas as noites que passam e que nada mais deixam para além
Das lágrimas.
A solidão.

Escrevo intermináveis desabafos no livro da minha alma
Que vão-se perdendo na fraca memória dos meus dias
E na loucura da triste solidão que impôs-se em mim desde o dia em que nasci.

Possuísse eu uma paixão, única e concreta em meu coração
E talvez fosse capaz de existir em sintonia com os seres
Mas paixão é algo que não existe em meu coração
E sintonia é palavra estranha
Da qual desconheço significado.

Todas as noites quando saio do trabalho
Impõe-se sobre mim o abandono
E a tristeza de saber que não há ninguém que esteja à minha espera
Para me abraçar…
 Para me dar um beijo de boa noite.

Tento retardar o máximo que posso
O momento em que me encolho na cama
Para apenas adormecer entre projetos de sonhos
 E lágrimas, que me revoltam chorar.

Por vezes embriago-me apenas para conseguir dormir,
Para que não deixe cair sobre mim
A terrível maldição de ser um insone com ideias de grandiosidade
Ou para manter a ilusão de que jamais o serei
Ou até de que nunca o cheguei a ser.

E é assim,
Cansado e triste que tento fazer uma única coisa,

Viver.

sábado, 15 de julho de 2017

Quantas lágrimas…

Quantas lágrimas não chorei já por ti
E quanto amor não já desperdicei
Ao desaparecer no mundo cruel da solidão.

Penso em ti, nesta angústia dos dias que me torturam
E subo aos céus à procura do cintilante brilho dos teus olhos.

Engana-me o sol e o pássaro que pousa no meu ombro e me beija.
Mas sinto no horizonte toda a luz do amor
E todos os doirados campos tecidos de melancólica paixão que me adormecem
Nesse doce sonho do dia que está para chegar,
Envolvendo-te em meus braços
E acabando finalmente por te beijar.

O Oitavo Céu

Guitarras soltam seus gritos de solidão
A música preenche o ar
Alcançando as trevas da perdição
Vozes sofridas a chorar
A morte chegará na noite estrelada
Nossos ombros cobertos de sangue escuro
Nossa mente será penetrada
Pelo negro corvo impuro
Ganharemos asas para voar
Substituindo as garras da vida
Pacientemente iremos esperar
As asas da coruja sofrida
Subiremos ao oitavo céu
Iremos nascer na morte
E tal como eu
Vais viajar pelo corte
Sons vindos do aniquilamento
Não chegam ao nosso estranho lugar
Passando pelo nosso banal sofrimento
A realidade, iremos matar
Na verdade buscaremos a ilusão
Assassinando a existência impura
Destes seres sem coração
Que dormem durante a noite escura
Acordando para a fantasia
Da ilusão inimaginável
Tudo o que eu queria
Era no infinito ter entrada
Buscando o meu ser
Chegando aos portais do universo
Ter o negro poder
De rodear o inverso
Desta realidade hipócrita e arrogante
Voltando ao sonho da verdade
Até sofrer bastante
Na vaga infelicidade
De viver nesta realidade.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Para a eternidade...

Talvez eu diga que te amo...
Só para não te ver chorar             
Talvez eu diga que te adoro
Apenas e só por te amar.

O que é isto que se passa na minha vida?
Toda esta constante ternura?
O que é isto minha alma querida?

Mato em ti esta sede pura
De um amor sem idade!!!
Livre, para a eternidade... 

domingo, 9 de abril de 2017

Quando te vi…

Quando te vi, já era demasiado tarde
Pois que tomaste de assalto o meu coração
Num sobressalto que escapou à razão
E à minha própria vontade.

Fixei a luz dos teus olhos e guardei-a dentro de mim
Deixando-a crescer e inundar todo o meu ser
De uma felicidade sem fim
Como eterno amanhecer
De um amor que desconhecia poder sentir dentro de mim.

Senti o calor dos teus beijos
As tuas mãos nos meus lábios
Esqueci o mundo, mergulhei nos teus desejos
Na doce canção da tua voz, da minha felicidade
Por estarmos sós com um amor sem idade.

Mas deixo-te voar em liberdade, em direção ao que não desejas,
Àquilo que pensas ser uma felicidade com rosto
Visível nas cidades, aldeias, vilas e igrejas
Que se alimentam do amor já morto.

Não vás! Sussurra a minha alma envelhecida
Desgastada pela grande ilusão do mundo
Mas a luz dos teus olhos, curiosa e decidida
Demove-me de te prender ao meu estranho amor profundo.

Estarei sempre aqui, à espera de te abraçar
Nos momentos em que te desiludires com a vida
Podes chorar no meu peito quando te achares perdida,
Podes sempre aos meus beijos retornar
Pois que jamais deixarei de te amar. 

Pobre saudade

Tal como os sonhos não deixam
Marca na inconsciência pura
Assim os pesadelos não deixam
Marca na consciência futura.

Homem e coerência encontram-se,
Que palavras ficam por dizer?
Os opostos esses, desencontram-se
O resto é para esquecer.

Pobres, os poetas resistem
Sem ideais, sem liberdade
Secretamente eles persistem
Pobres, na eterna saudade.

domingo, 2 de abril de 2017

Amar-te

Amar-te
É poder sonhar
Recordar-te
Em tudo o que eu pensar

É atirar-me pelo precipício
Sem receio de me perder
Voltando ao momento propício
Em que amo sem sofrer

É mirar-me no teu reflexo
E encontrar-me na tua alma
E ficar perplexo
Com toda a tua calma

Com a qual, enfrentas a vida
Com tanta coragem e determinação
E encontrar a tua alma, despida
Dentro do meu coração.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Choro

Um ser estranho ao mundo.
Estou num autocarro,…
As avenidas de Chelsea permanecem iluminadas pelas riquezas que as rodeiam,
Valores materiais que nada me dizem,
A mim, ser de uma tristeza única,
De um olhar lacrimejante que ninguém compreende.
Harrods,
Espetáculo material que a mim não diz respeito.
Dor, tristeza…
Aniversário deste ser corpóreo no qual habito.
Idiotas que se sentam atrás de mim.
Risos, falatório…
Ridículas mediocridades que ocorrem numa cidade
Onde não existe vida.
Onde não há lugar para a alma,
Para o sentimento puro do Amor supremo!
(do amor que em mim persiste)
Gentinha, apenas gentinha.
Nada há de concreto, de perpétuo
Algo verdadeiramente importante.
Apenas o vazio da existência.

Apenas a minha dor.

Dias que me abandonam

Sou a perfeição da loucura.
Todo o ser que em mim habita
Padece-se ao som do Luar.
Estranho sonho
Estranha a Loucura!
Sou pequeno!

Demasiado pequeno.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pudesse (não podem duvidar das minhas palavras)

Pudesse estar eu sozinho e triste todos os dias da minha vida,
Para que em segredo,
Sem ninguém desconfiar,
Pudesse amar as coisas e as pessoas,
Como Deus;
E não deixar meu coração cair na rotina dos dias e dos rancores
Quotidianos.
Pudessem ser eu todas as nascentes de águas frias
De todas as montanhas do mundo,
Pudesse ser eu a água de todas as chuvas
E a luz de todos os relâmpagos de todas as tempestades do mundo.
Pudesse ser eu Tudo
E Tudo amar pelo Sonho tão grande de Amar.

Despejo-me na latrina da existência,

E deixo-me apodrecer ao Sol da vulgaridade.