quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Fome de escrever

Ah, fome de escrever a minha poesia
Parca esta minha pobre inspiração
para escrever tudo o que eu queria
não me vale sequer a sede do meu coração.

Minha alma não sabia o que queria
quando neste papel pus a solução
ao enigma sem resolução
desta inspiração que me fugia.

Hei-de eu continuar a escrever?
Hei-de eu continuar a desabafar
em folhas de papel que ninguém há-de ler?

Será possível continuar a amar?
tratar todos os outros com carinho
enquanto solitário faço o meu caminho?


Mágoa

Ah a mágoa de ter de deixar de existir.
Pensamento que ocupa a minha mente
Constante e insistentemente
Como praga que não deixa de me perseguir.

Mágoa de ter de morrer consciente
de que o Mundo não pára ao se extinguir
uma vida que seja solitária e descontente
sem nenhum real propósito de existir.

Mas afinal qual é o objectivo de viver?
Que mistério encerra em si a vida?
Se no final temos que morrer?

Obcecado penso unicamente na minha ida
para o vale da eterna escuridão
que não aceito do fundo do meu coração.