segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Não quero...

Não, não quero escrever
não quero acalentar as mágoas do meu coração
não quero suster
as lágrimas da minha negra paixão.

Não quero perder
horas numa triste oração
perdida na solidão
de quem não me quer.

Recuso-me a existir
num coração alheio
podre triste e velho.

Resta-me persistir
no caminho da vida
Até encontrar minh'alma perdida.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Fome de escrever

Ah, fome de escrever a minha poesia
Parca esta minha pobre inspiração
para escrever tudo o que eu queria
não me vale sequer a sede do meu coração.

Minha alma não sabia o que queria
quando neste papel pus a solução
ao enigma sem resolução
desta inspiração que me fugia.

Hei-de eu continuar a escrever?
Hei-de eu continuar a desabafar
em folhas de papel que ninguém há-de ler?

Será possível continuar a amar?
tratar todos os outros com carinho
enquanto solitário faço o meu caminho?


Mágoa

Ah a mágoa de ter de deixar de existir.
Pensamento que ocupa a minha mente
Constante e insistentemente
Como praga que não deixa de me perseguir.

Mágoa de ter de morrer consciente
de que o Mundo não pára ao se extinguir
uma vida que seja solitária e descontente
sem nenhum real propósito de existir.

Mas afinal qual é o objectivo de viver?
Que mistério encerra em si a vida?
Se no final temos que morrer?

Obcecado penso unicamente na minha ida
para o vale da eterna escuridão
que não aceito do fundo do meu coração. 

domingo, 17 de maio de 2015

Pégaso

Pégaso, meu cavalo alado
Vem beber de meu coração
O amor do meu amado
Deixando-me na solidão

Bebe tu a minha paixão
Sê tu o meu fado
Meu querido cavalo alado
Esgota-me na minha solidão

Busca-me nessa noite perdida
De um tempo sem igual
Lambe tu esta ferida

Do meu coração mortal
Ansioso por desaparecer
E toda a dor esquecer.

sábado, 16 de maio de 2015

Refúgio do mal

Pássaros voam no infinito
Minha alma terrestre
Perde-se num grito
De corpo pedestre
Cansado de caminhar
Na vontade de amar

Cavaleiros das trevas
Veem-me buscar
Lançam-me nas névoas
Onde não há mar
Apenas luz de fogo
Onde eternamente sofro

Filho de solidão eterna
Pago pelo pecado capital,
Abandonado à noite terna
Refúgio de todo o meu mal.


Doença

Ando aqui, nestes caminhos de solidão
No desânimo de um estático coração
Apático sem vontade de amar
Perene na vontade de voltar

Às paragens dos intensos sentimentos
Anteriores a estes estranhos momentos
Plenamente governados pela doença
Infelizmente para mim tão intensa.

Doença que já não me permite o amor
Doença que me prendeu às teias da dor
Tornando fatídico este meu caminho
No qual para sempre caminharei sozinho.


sábado, 2 de maio de 2015

Noite

Noite de Silêncio, no ensurdecedor som da noite
Noite de Solidão, na companhia de estranhos solitários
Noite perdida em mais um bar da noite
Ninho e nicho de amores e desamores vários.

Noite de uma alma perdida entre os outros
que celebram a vida até ao seu finito limite
Noite com um estranho sabor a loucos
Que se limitam a celebrar tudo o que existe.

Quão estranha é esta noite chuvosa
Perdida noutras noites sem igual
De uma estranha alma amorosa

Que procura o seu amor na escuridão
Sem nunca encontrar o tal
nas brumas da sua negra e fatal paixão.