terça-feira, 4 de setembro de 2012

Em meus dedos…


Em meus dedos, repousa a vontade de te acariciar
Quase que esquecida nos dias dessa eterna solidão
Que é dar à vida mais do que se pode imaginar
Ao trabalho que pretende alimentar o coração.

Fugaz esperança que se desvanece com o tempo,
A de existir num ser obrigado a sobreviver
Nesta vida que foi feita para viver
E não para ocupar de preocupações o simples pensamento.

Deito-me na nossa cama, repouso
De eternos dias de batalha desigual
Entre a luta da vida e o calmo pouso
Em todos os dias em si igual.

Para além de um beijo


Quando penso nos teus doces olhos profundos
Escorrem em minha face as lágrimas da solidão
Que nunca conheci em todos os outros mundos
Nos quais vivi, sem a companhia do teu coração.

O sentimento, é já tão antigo?!
Ninguém pergunta pela novidade
O único que sabe, o meu amigo,
Já nem sequer me fala de saudade.

Pássaro sem ninho, sujeito à doce leveza do meu amor
Corpo sem alma, alimentado pelo efémero desejo,
De encontrar alguém no meio do caos, do horror
E que nada mais me peça para além de um beijo.

Após a noite ter caído


Após a noite ter caído,
 Do céu outrora iluminado pelo inebriante azul da paz,
Senti,
 Com a aproximação da lua,
 O desconforto de não estar ao pé de ti.

Deixo correr com vagar
Os minutos e as horas que passo com o abandono
Que sinto em meu coração,
Sem saber se hei-de fugir da solidão
Ou se hei-de deixar-me adormecer nos teus braços plenos de carícias.

Não soube distinguir o “Adeus” que me disseste hoje ao fim da tarde
Do “Olá” com que te apresentas todas as noites nos meus caóticos sonhos
De poeta em busca do seu efémero amor,
E que não soube reconhecer em teus abraços
Os abraços com que sonhou,
 Para a sua alma.

Sinto em toda a minha insatisfação
A insatisfação que provoco na tua alma carente de carinho,
E chego à conclusão de que uma vez mais
Todo o despropósito do meu egoísmo conduz-me para a minha já habitual solidão.