sábado, 18 de agosto de 2012

Mar e Céu


Hoje sonhei azul e cinzento
Cinzento como o mar de Inverno que se revolta
Contra as pedras que o prendem à terra.
Azul como o céu de Verão que ilumina o rosto do mar,
Tranquilo perante a sua visão.
Triste e pobre mar que se atormenta perante a visão desse céu magnífico
E inconsciente da sua própria beleza.

Céu que mira lá do seu alto o mar que se entristece e que se alegra perante a sua constante presença
E do qual se deseja aproximar sem no entanto saber como o fazer.

Mar e céu,
Amantes pelo espaço e pelo tempo separados
Inconscientes do seu amor
E que se beijam apenas no longínquo desse horizonte que nada sabe sobre o amor
Nem como poderá juntar os dois amantes na vertigem das eternas e ruidosas cataratas da paixão.

Mar e céu que se revoltam mutuamente,
Que se amam pacificamente
Na azul cor da tranquilidade.
Que cinzentos e tristes choram nos dias e nas noites de Inverno,
Que suavemente se beijam no horizonte das noites e dias de Verão.

Amantes que se castigam mutuamente nos furacões da eterna e revoltosa dor de se encontrarem tão,
Mas tão longinquamente separados.

E tristes são as lágrimas,
Tanto as do céu
Como as do mar.
Que se derramam na terra
E nos olhos dos homens que também não podem amar.

Amantes separados pela distância e pela revolta.
Poderá a paz apenas ser encontrada nos sonhos de amor que navegam nas mentes dos poetas?

Eu sou mar,
Tu és céu.
Ama-me.
Perdoa-me.

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