quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Imperfeição


Sonho com a perfeição vista pelo meu olhar.
A alma do meu coração inserida em um todo.
Brilham os céus e as nuvens
E revejo-me na melancolia dos dias.

Mas o sonho não avança assim,
Com a loucura no meu olhar,
E com a dor no meu coração.

Padeço apenas de amor
E toda a minha decadente forma de viver,
De existir,
De sonhar,
De respirar
Bastam para que eu permaneça doloroso na minha perda.

sábado, 20 de outubro de 2012

Horas


Escondi-me dos dias e das horas
(distantes e inglórias),
Camuflei as minhas passagens
(por vezes autenticas viagens)
Na grandiosidade das noites de Verão.
Percorri trilhos de luar para despertar as sombras do mundo
E quando estava já perdido, vi o teu doce aproximar do meu coração.
Senti o despertar do meu negro sonho profundo
E sorri, quando a luz dos teus olhos ofuscou o meu ego
E constatei nas trevas
Que minhas dissimulações foram um erro
Que cometi por pensar que jamais poderia sentir amor.
Persegue-me agora o fogo dos dias
E a constante vontade de te beijar,
Ininterruptamente durante as noites frias
Em que minha alma e minha mente
Se aliam no êxtase de te amar.
Deixo-me banhar pela luz e pela água salgada,
Caminho as quentes areias desta praia que desconhecia
Enrolado nos teus braços com sabor a maresia
Experimentando uma felicidade jamais por mim imaginada.
E embalado pelo teu peito deixo-me lentamente adormecer
Meio sufocado pelo medo de que chegue o frio Inverno
Que despe as árvores de cor
E que separa os amantes da paixão
Fazendo com que um possível momento eterno
Se perca e acabe simplesmente por desaparecer
No âmago do nosso amor
Abandonando, um e outro, na triste solidão.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Amor imortal


Solidão, agonia de não ser amado
Perdição autêntica do meu coração
Ouvir o estranho e triste fado
Da minha vida e sua negra condição

Tristeza, sangrenta como vermelho cravo
Que mergulha minha mente na escuridão
Da mais negra, nojenta e suja podridão
Na qual me sinto profundamente abandonado

Dor, dor de quem não pode amar
Dor deste estranho solitário profundo
Despropósito que não se pode perdoar

Vivo como um cadavérico moribundo
Neste improfícuo sonho negro e fatal
Que me impede de possuir o amor imortal.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Lisboa sentida


Será ainda a metrópole da magia, da cor, da luz
Ou meramente a continuação de uma ilusão persistente
De um ácido que devora ainda e continuamente todos os meus sentidos
E nervos?

Será a fatal perversão ou constatação de meros princípios
Que tenho de negar a mim próprio,
Partindo do ponto de vista de nunca chegaram realmente a existir?

Deveria sentir-me identificado com toda esta atmosfera envolvente,
Mas o facto é que não me sinto em nada.
Nem no “Bom dia” que dizem ao romper da porta.

E tudo se esvai em terna simplicidade.  

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Em meus dedos…


Em meus dedos, repousa a vontade de te acariciar
Quase que esquecida nos dias dessa eterna solidão
Que é dar à vida mais do que se pode imaginar
Ao trabalho que pretende alimentar o coração.

Fugaz esperança que se desvanece com o tempo,
A de existir num ser obrigado a sobreviver
Nesta vida que foi feita para viver
E não para ocupar de preocupações o simples pensamento.

Deito-me na nossa cama, repouso
De eternos dias de batalha desigual
Entre a luta da vida e o calmo pouso
Em todos os dias em si igual.

Para além de um beijo


Quando penso nos teus doces olhos profundos
Escorrem em minha face as lágrimas da solidão
Que nunca conheci em todos os outros mundos
Nos quais vivi, sem a companhia do teu coração.

O sentimento, é já tão antigo?!
Ninguém pergunta pela novidade
O único que sabe, o meu amigo,
Já nem sequer me fala de saudade.

Pássaro sem ninho, sujeito à doce leveza do meu amor
Corpo sem alma, alimentado pelo efémero desejo,
De encontrar alguém no meio do caos, do horror
E que nada mais me peça para além de um beijo.

Após a noite ter caído


Após a noite ter caído,
 Do céu outrora iluminado pelo inebriante azul da paz,
Senti,
 Com a aproximação da lua,
 O desconforto de não estar ao pé de ti.

Deixo correr com vagar
Os minutos e as horas que passo com o abandono
Que sinto em meu coração,
Sem saber se hei-de fugir da solidão
Ou se hei-de deixar-me adormecer nos teus braços plenos de carícias.

Não soube distinguir o “Adeus” que me disseste hoje ao fim da tarde
Do “Olá” com que te apresentas todas as noites nos meus caóticos sonhos
De poeta em busca do seu efémero amor,
E que não soube reconhecer em teus abraços
Os abraços com que sonhou,
 Para a sua alma.

Sinto em toda a minha insatisfação
A insatisfação que provoco na tua alma carente de carinho,
E chego à conclusão de que uma vez mais
Todo o despropósito do meu egoísmo conduz-me para a minha já habitual solidão.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Olho para trás…


Sacudo a poeira das minhas botas e olho para trás.
O ser que em mim habita apenas vive dois dias,
O dia em que nasce, e o dia em que morre.
Tudo o resto é pura ficção.
Diariamente ouço os conceitos sobre a realidade que diferentes seres concebem.
Mesmo que não os ouça diretamente,
Apercebo-me deles,
Pelas suas faces que me observam,
Pelas suas gargalhadas…
Pelos seus gritos e, pelas suas lágrimas.
Sei que não sei realmente o que me tentam dizer,
Mas sei que sinto (nalgum tipo de realidade metafísica) tudo aquilo que eles sentem.
Sempre a mesma frustração, o mesmo caminhar, o mesmo dormir.
Sempre as mesmas ideias,
Masturbações a horas marcadas
E sempre a mesma vontade de cagar.
Rotina lhe chamam.
Eu chamo-lhe vontade de cagar.
Nunca há uma libertação total, completa.
Nem mesmo com o orgasmo que provém da frustrante masturbação,
Resultante de um ócio qualquer no qual todos nos perdemos.

Continuo a sacudir a poeira das minhas botas,
E olho para a frente.
Nada vejo.
A não ser a frustração (ou vontade de cagar quem sabe)
E a ideia de que todos nós somos superiores a nós próprios.
Não vejo conflitos,
Não vejo revoluções.
Apenas vejo um par de botas sujas,
E os caminhos por onde passo.
Sinto em mim, e nos seres
Toda a melancólica solidão que nos é imposta pelo ego,
E caminho solitário por solitários caminhos que não desejo ver perturbados.
Atrás de mim vejo os seres, à minha frente vejo apenas a frustração maior de todas
À qual todos chamam de futuro.
Os cães ladram ao fundo da rua e eu não os consigo ver,
Ou ouvir.
Mas sei que estão lá, que estão lá e que ainda por cima
Estão com diarreia.
Sempre apressados, e sempre obcecados pelo eterno orgasmo envolto em merda.
Os parasitas comem a carne podre,
E os cães continuam a ladrar.
Incessante é o caminho que percorro,
Tal como incessante é a poeira que suja as minhas botas.

A noite está cada vez mais presente em mim, e mais negra.
Eu escrevo,
Os vizinhos fodem…
E no entanto, são eles os maiores solitários,
Não porque fodem, mas porque estão juntos.
Opostos que se juntam num único solitário prazer,
O de foder.
A masturbação é mais criativa.
(Penso que Deus criou o mundo depois de se masturbar.)

E eu olho para trás.
Sinto o peso ofegante de minha alma (se é que ela existe!)
E deixo-me mergulhar lentamente no sono dos iludidos e dos crentes.
Mas continuo a olhar para trás…

A tua alma…


A tua alma, é tão doce quanto o mel,
É o meu cais de partida, é o meu cais de chegada
De cada viagem que faço durante a minha vida
Em que me afasto de ti com a alma amargurada…

És o meu porto seguro,
Onde me abrigo de toda a tempestade
Que ocorre neste meu coração impuro
Tão carente, carente de saudade.

És o meu sonho ainda por conceber
És o meu sonho ainda por sonhar
És a vida que sustenta o meu ser
E toda a minha vontade de te amar.

És fogo, que me queima o negro coração
És dor, és alegria, és tempestade, és euforia.
És o meu sol que ilumina o meu dia
És a luz que me guia na escuridão.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Desenho ao fundo das escadas


Desenho ao fundo das escadas.
Sangue derramado sem hipótese de contemplações.
Ouvidos esmagados por gritos de dor e estrondos ensurdecedores que apresentam a confusão.
Diálogos interrompidos na gênese do caos.
Espelhos de miragens partidos, na escuridão de uma noite que se adivinhava ainda longa
E que se prolongou na memória de quem nessa noite não chegou a repousar sobre os seus escombros.
A criança escondeu-se nas profundezas do seu coração,
O homem entregou-se ao seu doloroso pesar.
Interromperam-se as danças de fogo que aqueciam os corpos,
Interromperam-se os copos que aqueciam as almas.
Apenas a noite permaneceu eterna e intacta
Nas mentes de quem a viveu e de quem não mais a sonhou.
Os ventos que transportam as memórias dos homens por toda a eternidade
Dissolveram-se em brisas aconchegantes de cabelos de crianças
Que jamais irei conhecer,
Pois que suas recordações irão estar já tão distantes das minhas,
Que a única certeza possível que poderemos ter
Será a certeza de quão incógnita é a nossa existência.
Jamais irei sonhar com esta noite.
Apenas sei que apenas poderei sonhar todas as noites da minha vida.
Até que a minha memória, a memória dos outros perante mim, a memória do mundo,
Desapareçam para sempre.
Flutuámos no tempo.

sábado, 18 de agosto de 2012

Mar e Céu


Hoje sonhei azul e cinzento
Cinzento como o mar de Inverno que se revolta
Contra as pedras que o prendem à terra.
Azul como o céu de Verão que ilumina o rosto do mar,
Tranquilo perante a sua visão.
Triste e pobre mar que se atormenta perante a visão desse céu magnífico
E inconsciente da sua própria beleza.

Céu que mira lá do seu alto o mar que se entristece e que se alegra perante a sua constante presença
E do qual se deseja aproximar sem no entanto saber como o fazer.

Mar e céu,
Amantes pelo espaço e pelo tempo separados
Inconscientes do seu amor
E que se beijam apenas no longínquo desse horizonte que nada sabe sobre o amor
Nem como poderá juntar os dois amantes na vertigem das eternas e ruidosas cataratas da paixão.

Mar e céu que se revoltam mutuamente,
Que se amam pacificamente
Na azul cor da tranquilidade.
Que cinzentos e tristes choram nos dias e nas noites de Inverno,
Que suavemente se beijam no horizonte das noites e dias de Verão.

Amantes que se castigam mutuamente nos furacões da eterna e revoltosa dor de se encontrarem tão,
Mas tão longinquamente separados.

E tristes são as lágrimas,
Tanto as do céu
Como as do mar.
Que se derramam na terra
E nos olhos dos homens que também não podem amar.

Amantes separados pela distância e pela revolta.
Poderá a paz apenas ser encontrada nos sonhos de amor que navegam nas mentes dos poetas?

Eu sou mar,
Tu és céu.
Ama-me.
Perdoa-me.

Mar só


Mar triste,
Mar negro,
Mar morto que não possui céu para nas suas águas espelhar
O Sol de Verão
A Lua e as estrelas de todo o ano
E a tristeza e a revolta dos dias de tempestade desse céu por si amado.

Mar que já não possui a alma que alimentava as suas turbulentas negras e tristes profundezas,
Mar que lentamente se alimenta do vazio e do negro do universo exterior a um mundo sem céu.

Onde está o azul de Verão desse céu que alimentava este mar sonhador de vida?
Onde está esse cinzento das nuvens que escondiam o amor deste mar enamorado?
Onde está a minha vida?
Onde está o meu amor?

Nas minhas águas reflete-se agora a contínua tristeza dos dias e das noites
Que já não significam nada para mim,
Pois que já não possuo nem o Sol, nem a Lua
Para iluminarem as minhas negras águas
(da solidão nascidas e por ela criadas).

E como um corpo, um objeto sem vida,
Afundo lentamente nos negros abismos que as águas do meu ser secretamente escondem na sua imensidão.

Como um mar sem vida, sem amor, sem dor
Definhando lentamente
Vou secando
Na tristeza das minhas profundezas.
E frio, gelado
Sem sentimentos perco-me perante o fim do meu amor.
Perante o desaparecimento desse céu que iluminava todo o meu interior.

Mar sem céu.

Deixem-me secar.
As águas já nada significam.
Nem mesmo aquelas que escorrem dos meus olhos.
Onde estás meu céu?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Olha para as minhas mãos! II


Olha para as minhas mãos,
Já não possuem a doce beleza de outrora, quando ainda acariciava
O teu cabelo,
Sem sentir as culpas de um mundo que não conhecia.

Olha para as minhas mãos,
Já não possuem a paz das manhãs ternas, de mãos dadas no calor dos nossos corpos.
Na doce leveza dos lençóis de cetim quando acordamos.
Na suavidade das noites em que adormecemos de rostos colados
Um no outro, fatigados de beijos que cresceram como as estrelas no céu,
E que acabaram por nos abandonar no infinito dos nossos sonhos.

Olha para as minhas mãos,
Duras, calejadas por uma vida que não desejei para nós os dois,
Insensíveis como a pedra de granito na qual esculpi a minha alma.
Demasiado imundas para serem capazes de te tocar
Sem possuírem o medo de te magoar.
Pedras, esculturas que nada deveriam tocar
A não ser o lento correr do tempo,
E que incredulamente se atrevem ainda a tocar a tua pele,
Branca e doce como as nuvens do céu,

Olha para as minhas mãos,
Aqui,
Nuas,
Expostas à crueldade do mundo,
À mediocridade de sistemas que não se superam a si mesmos,
À triste leviandade da existência.
Aqui, ao teu lado, já não encontro a paz de outrora,
Dos doces dias da nossa fantasia,
Encontro apenas a vergonha de te tocar, de te acariciar, de te beijar.

Olha para as minhas mãos,
Carregadas dos vícios do mundo, incapazes de te tocarem e, no entanto,
Sedentas do teu amor.
Perdoa-me meu amor, mas já não sou capaz de te tocar,
De te acariciar,
Pois minhas mãos estão desprovidas de vida
E a noite é demasiado longa para os nossos sonhos.
Amo-te no entanto,
Amo-te como a noite ama o dia e o beija durante a alvorada,
Amo-te como o mar ama o céu e o beija no horizonte,
Amo-te como apenas a tristeza pode amar a alegria.
Mas a noite é já longa, e uma vez mais, terei de partir.
Perdoa-me meu amor.
Amo-te, mas…
Olha para as minhas mãos!

Estou aqui II


Estou aqui,
Aqui neste lugar do desconhecido, do real
E sinto à minha volta a fraca corrente das marés de pensamentos
Que me rodeiam.

As penas da minha infância repousam distraidamente no sepulcro da minha alma,
Enquanto o silêncio da noite é repetidamente rasgado por gritos de aves em pânico
Que não sabem como fugir do horror do quotidiano e da inocência.

Estremecem as muralhas das cidades e as igrejas das aldeias
Tal como estremece minha alma perante a crueldade do amor na constante ilusão do mundo.

Afago os cabelos da utopia pausadamente nos intervalos das minhas crenças,
E busco o infinito nos vazios olhares das multidões que se passeiam nas margens do rio da existência.

Estou aqui,
Sentado nesta mesa de café vazio de conversas interessantes e cheio de gente desinteressante.

Debruçado na margem do rio pacientemente à procura do reflexo do meu semelhante
Afogado na mágoa de não conseguir acompanhar a corrente
Descrente das lágrimas que derramo no cristalino e frágil copo da vida que desconheço.
O real ao qual fui apresentado à nascença envelheceu demasiado depressa
E pede-me com a ternura de um vagabundo que lhe dê uma esmola.
Os meus olhos não são já capazes de fixar a corrente
E guardei as moedas na minha algibeira
Descrente da tristeza do real.

Olho à minha volta para constatar apenas que a noite continua imutável
Nos estridentes gritos das aves
E nos passos daqueles que percorrem as margens do rio.

Estou aqui,
Encostado no intervalo do Silêncio
E dos sonhos.
Descrente das minhas crenças
Despido das penas da minha infância.
Sem liberdade para poder voar
Perdido na crueldade de amar.

Persigo apenas os parágrafos das histórias que sonhei
Assinalando com pontos de interrogação as cicatrizes do meu coração
E deixo-me cair na empoeirada estrada da Solidão,
Esmagado pelo peso de lágrimas não chorei.
Fico aqui.
Abandonado aos pensamentos.

Quando te vi…


Quando te vi, já era demasiado tarde
Pois que tomaste de assalto o meu coração
Num sobressalto que escapou à razão
E à minha própria vontade.

Fixei a luz dos teus olhos e guardei-a dentro de mim
Deixando-a crescer e inundar todo o meu ser
De uma felicidade sem fim
Como eterno amanhecer
De um amor que desconhecia poder sentir dentro de mim.

Senti o calor dos teus beijos
As tuas mãos nos meus lábios
Esqueci o mundo, mergulhei nos teus desejos
Na doce canção da tua voz, da minha felicidade
Por estarmos sós com um amor sem idade.

Mas deixo-te voar em liberdade, em direção ao que não desejas,
Àquilo que pensas ser uma felicidade com rosto
Visível nas cidades, aldeias, vilas e igrejas
Que se alimentam do amor já morto.

Não vás! Sussurra a minha alma envelhecida
Desgastada pela grande ilusão do mundo
Mas a luz dos teus olhos, curiosa e decidida
Demove-me de te prender ao meu estranho amor profundo.

Estarei sempre aqui, à espera de te abraçar
Nos momentos em que te desiludires com a vida
Podes chorar no meu peito quando te achares perdida,
Podes sempre aos meus beijos retornar
Pois que jamais deixarei de te amar. 

Gostaria…


Gostaria de ficar deitado a teu lado,
Apenas para contemplar o teu rosto adormecido
Na paz reconfortante de sonhos imensos e vastos como os caminhos do amor.

Gostaria de te beijar com o toque suave de uma pena,
E despertar a tua alma para o conforto dos meus braços.

Gostaria de te possuir nessas primeiras horas da manhã
Com o sol a nascer para iluminar o nosso estranho e despropositado amor.

Gostaria que tudo não passasse de uma ilusão.

Gostaria que não tivesses de resgatar a dor e a desilusão para dentro do teu coração
Apenas para sentires que existes e que tens razões para continuar a respirar.

Gostaria de ser digno para conquistar a tua alma e vencer a dor e o sofrimento
Que habitam no teu coração.

Gostaria apenas de te amar.

Não é esta a poesia de amor…


Não é esta a poesia de amor que te prometi
Nem sequer um soneto que idealizei enquanto beijava os teus lábios
Não é realmente algo que se possa escrever numa folha de papel
Por mais artes de escrita, de vida ou de poesia que possam existir no imaginário desses homens
Que, tal como eu, escrevem poesia.
Não é nada para além de um desabafo
Um suspiro que persegue continuamente aquele alguém que não sabe suspirar,
Ou imaginar os teus lábios de água fria a roçarem suavemente, levemente, a minha cara
De lágrimas perdidas ou já esquecidas.
Ou sonhar apenas com o teu amor de anjo adormecido no útero da vida,
Como se fosse mesmo possível acreditar em amor,
Ou em poesia.
São palavras inúteis que caem em ridículo na “eterna continuidade” da vida humana e pessoal.

domingo, 1 de abril de 2012

O teu nome, Maria

O teu nome, Maria
Vem bater às portas do meu sonho,
E lança-me numa lacónica sensação de tristeza.
 Venho do teu nome, Maria
Dessa ansiedade sentida por tudo aquilo que está para vir.
 Sonho o pecador acto de viver
E refugio-me nas pobres mantas do tempo.
 Teu ventre, Maria
Ainda incendiado pelo fruto da tua dor
 Recai agora na paz dos dias e na luz das noites,
E eu choro Maria.
 Teu nome…
Maria.
Tulipa do meu coração.

Altiva solidão

Altiva desce a minha rua a opulenta solidão
Para vir entrar de rompante na minha casa,
Furiosa e raivosa com a leve percepção
De que a posso abandonar como um pássaro que bate a asa.

 Já não sinto o carinho no seu olhar,
 Posso finalmente partir para longe,
Atravessar o tempestuoso mar,
 E tentar esquecer a traição de quem foge.

 Poderei agora voltar a viver a vida inconstante
Que iludido tentei esquecer
Agarrar firme cada instante
Como se estivesse prestes a morrer.

 Não mais me voltará a ver sorridente
Disposto a aceitar as suas vontades
Ganhou a batalha a minha alma descrente
Do amor e das suas utópicas verdades.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Demência Bilingue

Procuro naquele pedaço de céu azul
O raio de luz que me irá salvar.
Que no fundo de minh’alma irá brilhar
Desintegrando o espectro da minha dor.

“Are you listening to the fool?”
Pergunta minha Racionalidade a chorar
Respondendo a Doença do falso amor:
“You could have gone so far!”

Já eu, nada digo. Tudo calo
Sem força para continuar a existir.
Mando as duas ir ter com o falo
Que os simples usam para se exprimir.