domingo, 9 de outubro de 2011

É esta a hora

É esta a hora, de visitar o etéreo templo
No qual adormecem os pálidos anjos da Saudade
Dos tristes sonhos que perdi num lamento
Que reina plácido sobre toda a verdade

Deste sôfrego coração anestesiado
Pela brutalidade do mundo em dor
Impossibilitado de ser amado
Asfixiado por um negro estertor.

Levantem-se meus anjos adormecidos
Venham saudar o poeta torturado
Que há já muito tempo se despediu da vida

Beijem-me na face meus filhos perdidos
Sentem-se por favor aqui ao meu lado
Chorem comigo a minha alegria perdida.

Às voltas…

Às voltas por bares nocturnos, suspeitos
De guardarem a fadiga de almas obscuras
Procuro insolente meus sonhos desfeitos
Nas asas de aves tristes e impuras

Abraça-me a noite e a Saudade de amar
Um alguém que a tristeza tenha abandonado
Beber de seus olhos a luz do mar
E reencontrar a alegria de ser amado

Mas chegam até mim vozes que saem de escuras paredes
Convidando-me para uma festa privada,
Promessas de amor proferidas centenas de vezes

Que me iludem à luz de uma lua abandonada
Que chora a triste e utópica ilusão
De um poeta que não sabe amar o seu coração.