quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Olha para as minhas mãos

Olha para as minhas mãos!
Já não possuem aquela doce leveza com a qual,
Acariciava os teus cabelos.
Tornaram-se feias, sujas, horríveis,
E não me atrevo a sujar a tua imaculada pele de deusa grega com elas.
Olha para as minhas mãos!
São sinais de sofrimento e de trabalho duro, já puras não são, e não mais te poderei voltar a acariciar
Como te acariciava dantes minha bela e doce amada.
Porque se te acariciar
Não mais irás sentir a leveza, a beleza do amor,
Apenas irás sentir a dureza do trabalho, a dor e o sofrimento que passo
Quando estou longe de ti.
Olha para as minhas mãos!
Sujas, porcas, imundas
Não mais me atreverei a tocar-te,
Porque ao tocar-te
Irei sujar essa tua doce beleza.
Amo-te,
Amo-te como as estrelas amam o céu,
Amo-te como a noite ama o dia e o beija durante a alvorada,
Amo-te como um louco de amor que ama!
Mas não me atrevo a tocar-te,
Não, não mais te irei tocar porque…
Olha para as minhas mãos!
Elas irão conspurcar a tua pureza, a tua beleza
E eu,
Eu não penso sequer em tocar-te.
Amo-te minha amada,
Mas não te posso tocar,
Não te posso acariciar
Tudo, porque te amo.
És tão bela,
Tão pura,
E minhas mãos são tão impuras,
Tão feias,
Tão…
Nojentas!
Amo-te…
Eu amo-te!
És tudo para mim,
És tu a minha loucura,
És tu a minha musa,
És tu a minha deusa,
És tu a minha paixão.
Amo-te loucamente mas…
Olha para as minhas mãos!

domingo, 9 de outubro de 2011

É esta a hora

É esta a hora, de visitar o etéreo templo
No qual adormecem os pálidos anjos da Saudade
Dos tristes sonhos que perdi num lamento
Que reina plácido sobre toda a verdade

Deste sôfrego coração anestesiado
Pela brutalidade do mundo em dor
Impossibilitado de ser amado
Asfixiado por um negro estertor.

Levantem-se meus anjos adormecidos
Venham saudar o poeta torturado
Que há já muito tempo se despediu da vida

Beijem-me na face meus filhos perdidos
Sentem-se por favor aqui ao meu lado
Chorem comigo a minha alegria perdida.

Às voltas…

Às voltas por bares nocturnos, suspeitos
De guardarem a fadiga de almas obscuras
Procuro insolente meus sonhos desfeitos
Nas asas de aves tristes e impuras

Abraça-me a noite e a Saudade de amar
Um alguém que a tristeza tenha abandonado
Beber de seus olhos a luz do mar
E reencontrar a alegria de ser amado

Mas chegam até mim vozes que saem de escuras paredes
Convidando-me para uma festa privada,
Promessas de amor proferidas centenas de vezes

Que me iludem à luz de uma lua abandonada
Que chora a triste e utópica ilusão
De um poeta que não sabe amar o seu coração.





segunda-feira, 23 de maio de 2011

Montanha da Lua

Sinto falta da montanha da lua,
Aquela que sussurrava ao meu ouvido
Os desventurados amores que tive
E dos quais estou já perdido.

Deposito a minha triste alma nua
Num monte de rosas mortas
Algures na minha mente esquecido
Por entre becos e ruelas tortas.

Nada dentro de mim ainda vive
(Faleceram as paixões e os amores
E todos os sonhos que tive.)

Com as fragrâncias, os doces odores
Das rosas da minha louca paixão
Que se finou dentro do meu coração.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Às Portas do Purgatório

Agora que perdi o meu Norte
Lonjura de sensações atribuladas,
Resta-me apenas a morte
E o Purgatório das almas amarguradas.

Agora que perdi o meu forte
Amor das almas apaixonadas
Resta-me apenas o desnorte
Das paixões agrilhoadas.

Rendido à inutilidade da vida
Entrego-me à morte sombria
Da minha alma esquecida

Por todos a quem mais queria
E que ignoraram a solidão
Deste meu triste coração.