quarta-feira, 7 de julho de 2010

Insatisfação

Existem pessoas insatisfeitas,
Com a vida com o amor
Com a poesia e com a dor.
Constantes variáveis imperfeitas.

Zangas, malas feitas
Lágrimas negras, odor
A folhas caídas, horror
De passagens estreitas.

Claustrofobia dos corpos,
Sentimentos já mortos.
Não mais querer amar

O outro que se aproxima
Como a saudade que se avizinha
De me poder apaixonar.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Paisagem

Paisagem de um sonho inconcebível
Quer por Deus, quer pelo Diabo
De compreensão solenemente impossível
Pelos filhos de um mundo mal amado

Depreendo da existência todo o seu caótico
Sentido de nunca ser libertada
De mais algum ser despótico
Que pisa a terra mal amada

Olho para o alto das bandeiras
Todas elas escarradas em "Liberdade"
Ouvindo sons de fogo nas fronteiras
De alguma minha vizinha cidade

Por Deus que o concebível seja tão limitado
Fecho-me na tristeza de um rosto
Em mais de mil lágrimas espelhado
Fingindo estar apenas mal disposto.

Houve um Tempo…

Houve um tempo, em que eu sonhava
Profusamente, com paz e amor
Estados de espírito que nunca possuí
E dos quais não me lembrava
Nos vagos momentos de pura dor
Que desde sempre em meu coração senti.

Nunca tive o génio de poeta,
Nunca tive o momento de exegeta
Intelectual de fraca palavra
Fiz da loucura minha escrava.

Este meu sonho…

Este é o meu sonho,
Páginas vazias,
Cheias de nada.
Gatafunhos imperceptíveis
Que jazem na folha de papel
Como insectos esmagados
Pelo calcanhar de um Deus cruel
E indiferente.
Este é o meu sonho,
Embriaguez intolerável
Passível de ser controlada
Pelos desejos de quem não se assume
Como mero ser humano,
Passível de cometer os mesmos erros que eu cometo,
Ou piores ainda.
Este é o meu sonho,
Sonhos destruídos,
Arruinados,
Assassinados,
Desmembrados,
Por mim…
Pelos outros…
Por tudo aquilo a que se chama vida.
Este é o meu sonho, …
Não ser capaz de sonhar.

Amar-te

Amar-te
É poder sonhar.
Recordar-te
Em tudo o que eu pensar.

É atirar-me pelo precipício
Sem receio de me perder
Voltando ao momento propício
Em que amo sem sofrer.

É mirar-me no teu reflexo
E encontrar-me na tua alma
E ficar perplexo
Com toda a tua calma

Com a qual, enfrentas a vida
Com tanta coragem e determinação
E encontrar a tua alma despida
Dentro do meu coração.

Leve

Leve como o teu beijo
Esta solidão que se acercou de mim
Refugiou-se no meu coração;
Pousou terna no meu peito
Até que por fim
Estrangulou a minha paixão.

Nada mais desejo
Nada mais quero alcançar
Sinto a dor do teu beijo
Por não te poder amar.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Estou aqui…

Estou aqui,
Aqui neste lugar do desconhecido, do impossível
E sinto à minha volta a fraca corrente das marés de pensamentos que me rodeiam.

Estranhas ocorrências são-me relatadas por estranhos seres que não me dizem nada.

E eu estou aqui,
Aqui neste ser corpóreo que me limita o pensamento
E que me escapa à razão.
Fico a pensar durante horas
Sobre a estranha condição dos homens,
Que não sabem pensar.
E chego à estranha conclusão,
De que só eu, me importo realmente com a estupidez dos homens.

Homens estes que se matam, que se dilaceram,
Que se amam e que se odeiam constantemente,
Criando um ciclo, que nenhum ser poderá alguma vez quebrar.

E eu, eu estou aqui,
Aqui enterrado, neste mundo de ignorância,
Sem poder amar, sem poder viver, sem poder morrer,
Apenas posso limitar a minha existência ao mero pensamento do meu ser,

E a vida, parece-me a mim uma ilusão.

Uma ilusão, em que eu estou aqui,
Neste perpétuo martírio,
De existir num mundo em que não quero existir!

Num mundo em que não posso existir,
Devido à estranha condição da inexistência do meu ser pensante.
Limito-me eu hoje ao mero sentimento,
À arte do ver, do sentir, do existir num mundo negro,
Rodeado pelas trevas dos pensamentos dos homens.
Pensamentos mortíferos e letais como cianeto.
O fatalismo obscuro destes pensamentos, cerca-me o coração,
E enegrece-me a alma, levando-me da realidade,
Para a ilusão das coisas irreais.

Morro lentamente, como que torturado pela Inquisição Espanhola,
Nos finais do século XIV, pela mera acusação de ser humano, e de possuir sentimentos.
Eu quero ser o sentimento,
Quero ser a emoção de uma lágrima prateada chorada,
Quero ser a vida de um choro desesperado,
Quero ser um GRITO!

Um grito de uma criança aterrorizada no meio da noite!
No meio de uma noite escura e fria, perdida nos tempos da existência humana.

Estranha noite, tão ridiculamente real em minha mente, e em todo o meu ser.

Que desespero!
Desespero de viver, sem o poder!
Desespero de amar, sem o poder!
Desespero de ser, sem o poder!
Quão desesperante é o desespero dos homens!
Dos homens perdidos, numa vida sem sentido nem direcção,
De uma vida desesperante, num mundo desesperante!

E eu, estou aqui,
Aqui neste mundo do desespero incondicional!
E vivo incondicional no meu desespero,
E vivo perdido na minha condição!
Estranha condição do meu ser pensante,
Enterrado nas mentes de seres não pensantes!

E eu, eu estou aqui,
Aqui neste desespero dos homens,
E nesta vida de detestáveis condições!

E vivo apenas para morrer,
E vivo apenas para sofrer,
E vivo apenas para existir na vida dos homens!
E o vento da existência, sacode meus cabelos,
E varre-me os pensamentos de solidão!

Pertenço a tudo e a todos no Infinito,
E no entanto, ninguém quer o meu ser.

E por muito enterrado na solidão que esteja,
Não deixo de pertencer ao coração dos homens!
E chegará o dia, em que definitivamente, eu viverei sem ter vida,
No coração dos homens apaixonados,
E dar-lhes-ei o amor e a paixão suficientes para amarem.

E será aí que eu ficarei pela eternidade,
E minha alma, não cessará de compreender os homens,
E toda a sua humana condição humana irracional!

Presenteado pela imortalidade, estarei em Deus,
E com Deus, no coração dos homens.

E não mais sofrerei na existência!

Mas por enquanto, é aqui que eu estou,
Sentado nesta mesa do café vazio de conversas interessantes, e cheio de gente desinteressante!

E eu, eu estou aqui,
Aqui no meio de tanta repugnância,
E de tanto pudor, estupidamente irreais!

E o universo sorri-me com o carinho de uma mãe, e acaricia os meus cabelos, confortando a minha alma.

Estou aqui!

Estou vivo!