quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Palavras

Palavras, são apenas doces palavras
Aquelas que eu gostaria de sussurrar ao teu ouvido,
Doces como o mel que escorre da garganta da minha alma,
Quentes como o abraço de abandono que te ofereço,
Tristes como só as palavras de amor podem parecer
Serem tristes na solidão do nosso amor.

Minha vida…

Minha vida…
Que acabou aqui, neste lugar do desconhecido
Do irreal
Já nada significa para mim.
Fui abandonado pelo meu amor…

Do meu coração escorrem lágrimas de sangue
Que já em nada alimentam o meu corpo de vida,
Que já de nada alimentam a minha alma
A não ser, talvez, de dor.

A tristeza chega, compulsiva e lenta,
Ao âmago do meu ser
E eu, já nada sei.
Já nada sei.
Já nada sei.
Já nada sei.

Já nada sei.

Percorri a estrada…

Percorri a estrada da minha vida,
Com efémeros sonhos de grandeza
Presos ao meu peito de alma sofrida
Emergidos do poço da minha tristeza.

Deixei-me cair na ilusão de ser maior
Em sentimentos e em expressão,
E esqueci-me de compreender a dor
De um outro coração.

Agora caio na embriaguez dos dias
Que passam sem deixar lembrança
E na dor que passo durante as noites frias
Em que sonho com um pouco de esperança.

Chora baixinho

Chora baixinho
Para que o vento não te ouça,
Não vá ele espalhar os teus lamentos aos quatro cantos do mundo.
Chora no meu ombro,
Para que eu te possa beijar,
A ti
E a esse sal das tuas lágrimas
Que me entristecem.

O sabor do amor que por ti sinto e que escondo
Mergulha na dor de tanto te amar,
Excluindo a saudade desses uivos do vento que contorna os quatro cantos do mundo.

Encosta o teu coração ao meu,
Ensina-me o ritmo do teu amor,
O ritmo da tua paixão.
Nega-me o prazer,
Nega-me a fútil e fácil aproximação dos corpos,
Para que em silêncio possa admirar a tua alma,
Sem desejo
Sem temor…
… Apenas à espera de mergulhar no teu coração,
Pleno de amor,
E que ainda foge de mim para voltar para a triste
(e por ti amada)
Solidão,
E para o triste prazer da dor.

Deita-te neste meu leito de pesadelos
E abraça-me até a dor não poder ser mais por ti resgatada
E, sem mais demoras, poderes enfim entregar-te ao meu coração
E à minha alma, apenas para ti de tudo despida.

Deixa-me entrar pelo portal dos teus sonhos,
Pelo portal do teu amor
E adormecer em tremores de desespero,
Nesse inexistente e falso conforto que possuis em teu coração.

Confia em mim.
Amo-te.













domingo, 6 de agosto de 2017

Terna é a noite

Terna é a noite escura
Que abraça o meu coração
Conforta minha alma obscura
Tão carente de paixão.

Piso o negro chão
Na minha viagem impura
Que me leva à razão pura
Pela qual amo a solidão.

Nenhum ser poderá me amar
Enquanto nos meus olhos fixar
Uma certa imagem de loucura

Que se reflecte em todos os dias
Em que passo à procura
Dos teus beijos d’águas frias.

sábado, 5 de agosto de 2017

Pensamentos conclusivos

Solidificação da alma perdida no Infinito.
Acordei para a noite
E perdi-me do mundo.

Eis aqui a loucura de viver
Prisioneiro de um ser corpóreo
E de uma realidade falsificada por um deus desconhecido.

A minha observação na noite
Leva-me à conclusão de que a mera perdição pelo materialismo
Inerente a este mundo
Parte dos seres que não possuem a consciência do Infinito
Levando-me à condição de ser um estranho entre os estranhos

E perco-me na loucura do Ser.

Mato a minha sede

Sinto a solidão em teu triste olhar
Criança imberbe da imaginação
Com cabelos empoeirados por caminhar
As empoeiradas estradas da ingratidão
Sou este vento que assobia
Que revolve os cabelos das gentes
(Vendo aquilo que não queria
Soltando uivos de dor), descontentes
Aqueles que anseiam por uma vida
Superior ao vazio da existência
Abraçando cada criatura perdida
Nas amarguras da sua essência
Procuro o regresso a meu reino de vendavais
Por vultos de nuvens incendiadas
E por geadas sombrias e frias
Que me lembram as minhas amadas
Perco-me neste belo horizonte
Maior do que o mar
Alimentando esta minha fonte
Dum amor que nunca irá acabar.


Mato a minha sede!