sábado, 14 de abril de 2018

Fim das marés


Espero solitário pelo fim das marés,
Vagas tortuosas que fustigam a minha alma de dor
E o meu coração de sofrimento.

E meu peito esbate-se contra as águas
Das trevas da minha estranha existência.

Tarda a chegar o fim das marés
E eu vivo dividido pelos oceanos. 

Adeus,
Partirei com as gaivotas.

Nada sei…


Já nada sei, já nada sinto em meu solitário e abandonado coração.
Toda a paixão desapareceu, reinando agora a dor em minha alma
E o sofrimento em meu ser
Que me leva à loucura dos dias perdidos em minha mente.

A criatura da noite desvaneceu-se
Subjugada pela escuridão das cinzentas madrugadas
Da minha vaga insanidade.
E a luz tornou-se um mero reflexo da minha ilusão.

Eis-me então aqui perdido, nesta vaga incerteza de todas as minhas certezas.

Solidão, esta é a minha realidade
Mais palpável que a mão de um amigo
Ou o abraço enamorado de uma mulher.

Abandono, condição única do meu ser
Sujeito à loucura da amizade
E à insanidade do amor.

Perdição absoluta de tudo e de todos.
Vontade única do meu ser.

Sob os sentimentos do meu coração


Estranhas sensações aqui estipuladas
Pela negra deusa do amor,
Em meu peito todas as facadas
Provocadas pela paixão da minha dor.

Esqueci todas as minhas amadas
Já nem lhes sinto o odor
Mas enfrento todo o horror
De caminhar por errantes estradas

Maldito caos de tanto amar!
Durante tantas noites passadas ao mar
Sob as ilusórias estrelas da paixão

Enfrento agora as trevas da existência
Moribundo sofre o meu coração
Rodeado de tão louca demência.

Objectivo mortífero


Quando foi que te perdi?
Esqueci-me lentamente dessa fatal tortura!
E eu que já tanto vivi
Considero-te de todas a alma mais pura.

Ainda de ti não me esqueci,
Lembro-me de ti em cada noite escura
Passada neste sofrimento que perdura
Neste corpo do qual ainda não parti.

Apenas a ti continuo a amar
E ainda não me consegui perdoar
Por ter-te abandonado.

Tento apenas abandonar esta existência
(para a ti me juntar meu amado)
E cantar o meu triste fado
Revivendo o amor da mais pura Inocência.

O fim


Solta a tua voz criança
Até à última hora de amargura
Até ao entardecer final dos teus olhos
E sente o alívio de uma última lágrima,
Trespassada pela morte.

Sente a paz final
E o último dolorido segundo
Da vida que se escapa do teu corpóreo ser.

Enfrenta agora o teu fim
Serenamente
E deixa-te cair nas trevas
Como que uma vela apagada pelo vento.

Adeus,
Choro por ti.

Contradições


Permanentes contradições do meu ser
Que levam-me à mais pura das incertezas
Dificultando toda a arte de viver
Vivendo eu na mais pura das tristezas.

Possuo agora a vontade de enlouquecer
Dado que não possuo certezas
E minhas mãos estão presas
Pelas cordas do eterno sofrer.

Contradições que sufocam a minha existência
Contradições que me levam à demência
De pensar que por ninguém sou amado

Devo agora deixar de existir
Mergulhar no limbo do tempo parado
Para deixar de aos seres mentir.

Loucura


Apossado pela loucura do amor eterno
Mergulho o meu ser no semicerrar das pálpebras de um moribundo
E entrego-me à insanidade de por ninguém ser amado.

Estranho horror presente na minha alma e na minha mente.
Ser de loucura infinita e de dor sem igual.

Fragmentos do meu coração
Descaíram no espelho da ilusão de uma enamorada reflexão
Do meu ser
Pela tua alma.

Ah este inferno de amar sem ser amado.
Ridícula insanidade inerente à vida.

Perdido,
Irremediavelmente perdido nos vastos oceanos do amor.

Máxima incredulidade de um sofredor.

Loucura.