domingo, 27 de agosto de 2017

Meu eterno amor

Amor que cresce dentro de mim
Paixão que brota do meu ser
Beijar-te docemente em minutos sem fim
À luz de uma madrugada a nascer.

À beira-mar fui caminhar
De mãos dadas contigo minha amada
Resplandecente por te amar
Mais do que a tudo, ou a nada.

E todas as noites em que nos deitamos
Neste doce leito branco de cor
E tocados pelos olhos nos fitamos
Exclamamos: Meu eterno amor.

Noite Eterna

Divago na tentação da noite eterna
Que se estende à minha frente
Ouço as palavras ditas e cantadas
Desnivelarem-se dos carris do destino
E perco-me na horizontalidade do amor que sinto por ti.
Serpenteio meus braços com as tarântulas das minhas sensações
E desencaminho-me na frieza de uma vontade.
As águas passeiam calmas a meu lado
Fazendo-me sentir parte do infinito do qual faço parte
E despindo-me de preconceitos do mundo,
Lanço-me nu e destemido
Nos lagos de vontades de uma força maior do que a minha.
A sobrevivência torna-se perpétua para aqueles que sabem que nada mais
Daquilo que somos é definitivamente perpétuo.

Alcanço-me na tristeza de um olhar.

Desisto

Desisto,
Chorei e gritei em nome do amor ao longo da minha vida e agora,
Desisto.
Desisto de te procurar meu amor
Desisto de tentar encontrar
Tua face nesta incógnita multidão que me rodeia,
Neste sonho louco que busco nas fronteiras do meu coração.
As lágrimas que derramei Deus meu!
As lágrimas que escorreram por meus olhos abaixo
De nada me valeram
Pois que a paixão, de mim se esconde na mais enigmática das formas,
Na mais louca das maneiras.
Que estranha solidão que a mim me foi imposta pela existência.
Que dor de tanto amar, sonhar, chorar, esquecer…
Porquê?
Porquê toda esta vida mais insignificante que a própria insignificância?
Porquê esta vontade de procurar algo que não se encontra?
Desisto.
Desisto de viver.
E no entanto continuo a respirar, a andar, a comer e a pensar.
Os violinos do meu coração perseguem-me com o seu melancólico divagar,
Com o seu sofrimento calado, com o seu enigmático tom.
Toda a minha vida te busquei
Amor dos meus sonhos
E apenas nos meus pesadelos te encontrei
Sob forma de algo impossível de alcançar…
Ou de sonhar.
E o desespero se torna mestre de todo o meu ser.
A loucura sobrevivente de meu coração intimida-me a procurar refúgio do mundo,
Do ser,
Do cão que me morde e me molesta com as suas verdades.
Não sou ninguém e ninguém me disse nada,
Ninguém me disse nada.
Apenas a vontade comandava o meu coração
E agora também ela desapareceu na noite do mundo.
E eu, só me abandono nesta valeta iluminada pela lua e pelos demónios
Que meu coração vomitou.
Desejo,
Palavra vã que me percorre a mente.
Loucura, realidade presente em minha mente.
E eu desisto,
Desisto como qualquer frustrado que desiste,
E sonha que ainda não desistiu do seu tresloucado sonho.
Amar.
Amar?
Ah ah ah ah!
Como se fosse isso possível para um ser que não é ninguém.
Um ser que até a insignificância repudia e escarra no solo como catarro impossível de engolir.
Um ser esquecido nalgum obscuro e recôndito canto da mente de Deus.
E as flores em meus cabelos há já muito que murcharam,
Tal como meu coração há já muito que morreu para o amor.
Deus meu, que Dor.
Porque não me ouves?
Porque não me dás algo porque viver?
(Porque não mereces!)
Porque não me dás algo para criar?
(Porque não mereces!)
Porque não me revelas o amor?
(Porque já o possuis!)
Desisto.

Loucura?

Inútil

Sonho assombroso que invade a minha mente.
Cavalgar os ventos da minha própria paixão
E navegar no doce e balançante odor do teu corpo.
Nos teus olhos mergulhar em oceanos de mil cores
E viver nesse lancinante amor de quimeras sonhadas
E repetidas em cada estrela do céu noturno.
Ultrapassar os limiares do infinito                          
Beijar a tua alma
E cair de joelhos na maldita rotina quotidiana da existência.
Que saudades de te abraçar,
Que saudades de te beijar.

Que vida miserável!

Não queiram…

Não me queiram levar por este caminho
Que não mais desejo caminhar,
Apenas sentar-me e amar a vida
Como sinónimo de beleza que reside dentro de mim.
Respiro por tanto amor
E adormeço ao som de violinos apaixonados
Que me lançam ao nome do meu amor.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Palavras

Palavras, são apenas doces palavras
Aquelas que eu gostaria de sussurrar ao teu ouvido,
Doces como o mel que escorre da garganta da minha alma,
Quentes como o abraço de abandono que te ofereço,
Tristes como só as palavras de amor podem parecer
Serem tristes na solidão do nosso amor.

Minha vida…

Minha vida…
Que acabou aqui, neste lugar do desconhecido
Do irreal
Já nada significa para mim.
Fui abandonado pelo meu amor…

Do meu coração escorrem lágrimas de sangue
Que já em nada alimentam o meu corpo de vida,
Que já de nada alimentam a minha alma
A não ser, talvez, de dor.

A tristeza chega, compulsiva e lenta,
Ao âmago do meu ser
E eu, já nada sei.
Já nada sei.
Já nada sei.
Já nada sei.

Já nada sei.