sábado, 25 de novembro de 2017

Já nada sei...

Já nada sei,
Já nada significa para mim.
O amor?
Ah o amor é para as crianças,
Os loucos não têm direito a amar.
Os loucos não têm direito a perdão.

Vagueio na existência.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A procissão do negro coração…

Ainda agora vai no adro,
 A procissão do negro coração,
Que na escuridão encalhado
Morreu na solidão,
Triste, só e esquecido
Por uma monoteísta religião.

Treme o largo da igreja
Com a negra peregrinação
Não há santo que se veja
Na reza ou na oração.

Da oração não guardo
Demónio ou anjo que se veja
E no entanto me resguardo
De qualquer lei que me proteja

Do celestial amo que sirvo,
Tão imerso na sua sabedoria
Que esquece a lei do seu livro
E castiga com sinistra alegria.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Tristeza

Sou feito de tristeza...
Tristes são os meus dias, tristes são as minhas noites.
As alegrias, perdi-as algures na infância,
Nessa infância já tão distante e tão difusa na minha memória.

Sento-me à mesa
deste café de ignorantes da minha tristeza cheio
e vazio de alegria pura.
Alegria por simplesmente existir e nada mais.

Perco-me na tristeza da noite.

Perdi...

Perdi a minha poesia
Perdi a minha alma
Perdi o meu dia
Por não ter calma.

Perdi o teu amor
Perdi a minha paixão
Encontrámos a dor
Da solene separação.

Perdi a realidade
Dos meus sonhos
Perdi-me na cidade
De todos os loucos.

Mais uma noite...

Mais uma noite que passo aqui abandonado
No meio do caos, da confusão
Pobre ser tão mal amado
Pobre e triste coração.

Mais uma noite que passo na Solidão
De um amor mal-fadado
Ciente do triste fado
Que é viver sem paixão.

Deleito-me a imaginar o amor
Sentido por qualquer alma
Que se ponha ao dispor

De amar uma alma louca
Que não conhece a calma
De amar coisa pouca.

domingo, 27 de agosto de 2017

Meu eterno amor

Amor que cresce dentro de mim
Paixão que brota do meu ser
Beijar-te docemente em minutos sem fim
À luz de uma madrugada a nascer.

À beira-mar fui caminhar
De mãos dadas contigo minha amada
Resplandecente por te amar
Mais do que a tudo, ou a nada.

E todas as noites em que nos deitamos
Neste doce leito branco de cor
E tocados pelos olhos nos fitamos
Exclamamos: Meu eterno amor.

Noite Eterna

Divago na tentação da noite eterna
Que se estende à minha frente
Ouço as palavras ditas e cantadas
Desnivelarem-se dos carris do destino
E perco-me na horizontalidade do amor que sinto por ti.
Serpenteio meus braços com as tarântulas das minhas sensações
E desencaminho-me na frieza de uma vontade.
As águas passeiam calmas a meu lado
Fazendo-me sentir parte do infinito do qual faço parte
E despindo-me de preconceitos do mundo,
Lanço-me nu e destemido
Nos lagos de vontades de uma força maior do que a minha.
A sobrevivência torna-se perpétua para aqueles que sabem que nada mais
Daquilo que somos é definitivamente perpétuo.

Alcanço-me na tristeza de um olhar.